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O termo Esquerda é totalmente distorcido dentro da cultura brasileira e o contraste fica evidente pelas associações absurdas e acepções dadas à palavra. No VIDE, o utilizamos para designar os defensores de uma economia fortemente regulada pelo estado, ou seja, os que são a favor de um estado intervencionista, atuante no planejamento, regulação e operação nos diversos setores da economia.

 
Um esquerdista geralmente vai se posicionar em favor de:

  • estado atuante na economia – através de mecanismos de regulação, incentivos, subsídios e até através da criação de empresas estatais.
  • leis que regulam as relações entre comprador e vendedor e as relações de trabalho – para evitar que um lado possa "passar a perna" no outro e assim, previnir problemas nas relações econômicas. Apesar do inevitável aumento da burocracia, as relações econômicas ficam teoricamente mais seguras. Na prática, sabemos que a segurança pouco melhora e a burocracia acaba servindo apenas como barreira de mercado, ou seja, como um impedimento da entrada de novos concorrentes formando “feudos” mercadológicos e incentivando a venda de facilidades por parte de funcionários públicos corruptos.
  • aumento de carga tributária – para que o mercado fique cada vez mais submetido ao planejamento, operação e fiscalização do estado que necessita de recursos para as suas atividades de controle. Eventuais diminuições de tributos devem ser temporárias e fazer parte de uma tática para minimizar os efeitos de crises de consumo, produção e investimentos.
  • planejamento centralizado da economia – dentro de uma estratégia para toda a nação, que acabe por beneficiar os diferentes setores da sociedade. Entretanto, está mais do que comprovada a impossibilidade de um planejamento econômico amplo e efetivo, mesmo porque, as relações econômicas são realizadas por seres humanos que possuem liberdade de escolha. Todas as tentativas de controle amplo da economia de um país se mostraram falhas e em alguns casos catastróficas. Os esquerdistas mais sérios já abandonaram a idéia de um estado onipresente, se contentando com  um grau menor de controle econômico.
  • fim da propriedade privada - que é um dos grandes obstáculos para a dominação do estado sobre os meios de produção. O final da propriedade privada é geralmente seguido de totalitarismo pois gera uma espécie de escravidão econômica que cria condições para uma escravidão de fato.  

Em linhas gerais, um esquerdista acredita que as pessoas não são totalmente capazes de decidir livremente sobre o que comprar, o que vender e a que preço. O estado deve na medida do possível ter uma atitude paternalista procurando previnir os problemas que possam ocorrer nas relações econômicas, seja através de leis que burocratizam as relações econômicas, seja através do controle direto ou indireto dos agentes econômicos.

Obs1: No Brasil, o termo esquerda é ainda associado a ser progressista, revolucionário, democrático e libertário. São associações fruto das distorções culturais. Inclusive o termo libertário é mais apropriado para direitistas radicais que acreditam na completa desregulamentação do mercado e das liberdades individuais. Existem ainda um grande número de esquerdistas nacionalistas, autoritários e/ou anti-democráticos. De fato, todos os movimentos políticos de esquerda são inerentemente anti-democráticos e em grande parte autoritários. O apoio destes movimentos a regimes democráticos é apenas uma concessão tática para a tomada e manutenção de poder quando não se tem a hegemonia cultural ou na impossibilidade de fazer uma revolução. Estes são pontos anunciados abertamente por todos os partidos e movimentos importantes de esquerda no Brasil.
 
Obs2: Os movimentos de centro-esquerda geralmente procuram encontrar uma fórmula democrática e convivem bem em um ambiente de liberdade. Correntes como a Social-Democracia, o Socialismo Reformista e o Liberalismo Social propõem um estado de bem estar social (Walfare State) que é sem dúvidas paternalista, mas que não é necessariamente autoritário e anti-democrático.  
 
Obs3: O socialismo, o comunismo e suas variantes são as correntes de esquerda mais comuns e defendem um estado paquidérmico e paternalista que cerceia as liberdades em troca de um suposto bem comum que nunca se realiza. O nazismo e o fascismo são correntes no centro do espectro econômico não podendo ser claramente classificados como de direita ou de esquerda. Apesar de defenderem um estado forte e controlador, como faz a esquerda, permitem um certo grau de liberdade na economia para “os amigos do rei”. Há quem chame este tipo de regime econômico de “Mercantilista”.

Obs4: Historicamente existe grande proximidade doutrinária do nazismo (nacional socialismo) com o socialismo. Os discursos e os fundamentos básicos são semelhantes quando não idênticos. Se diferenciam no fato do nazismo ser fortemente nacionalista/racista e o socialismo internacionalista.

 

Citações:

 "- O princípio axiológico do capitalismo é que o homem é dono de seu corpo e do produto de suas faculdades e só pode ser privado do produto dessas faculdades por consenso, contrato, ou pela aceitação de tributos sujeitos ao crivo da representação democrática. Já o socialismo parte do princípio de que o homem é proprietário de seu corpo, mas não é proprietário do uso de suas faculdades. Esse produto pode — e deve — ser redistribuído segundo determinados critérios ideológicos e políticos para alcançar algo definido como justiça social... O resultado é que não se otimiza o esforço produtivo. Toda a tragédia do socialismo é, no fundo, a sub-otimização do esforço produtivo". (trecho retirado do livro "Conversas com Economistas Brasileiros" de Roberto Campos)

 

 

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